Taça Libertadores, sonho de consumo de todos os clubes sul-americanos
Se existe uma competição na qual o futebol argentino se sente muito a vontade, essa competição é a Taça Libertadores da América. Em 58 edições do principal torneio de clubes do futebol sul-americano, os clubes argentinos chegaram em 34 finais com 24 títulos conquistados, aproveitamento de 70% em finais. Em 2018, Atlético Tucumán, Boca Juniors, Estudiantes, Independiente, Racing e River Plate terão a missão de recolocar a Argentina no topo do futebol Sul-americano. O último campeão do país foi o River Plate em 2015, após bater o Tigres do México na final. Vamos conhecer um pouco mais sobre como a Argentina construiu sua tradição na Libertadores e depois vamos aos números dos times que representaram o país na competição.
San Lorenzo, o 1º argentino na Libertadores e a longa espera pela 1ª conquista.
A 1ª edição da Copa Libertadores, à época denominada Copa dos Campeões da América, teve a participação de 7 times, sendo o San Lorenzo o representante argentino. El Ciclón enfrentou na 1ª fase, em jogos de ida e volta, o Bahia, campeão da Taça Brasil de 1959 e representante brasileiro na competição. No jogo de ida, disputado no estádio do Huracán, El Palacio, vitória do San Lorenzo por 3x0. Oscar Rossi teve a honra de marcar o 1º gol argentino na história da Libertadores. Completaram o placar do jogo de ida Miguel Ángel Ruiz e José Sanfilippo. Na partida de volta, na Fonte Nova em Salvador, o Tricolor Baiano venceu por 3x2, os 2 gols do time argentino foram de José Sanfilippo, até hoje o maior artilheiro da história do San Lorenzo. Nas semifinais o adversário da equipe argentina foi o Peñarol, que viria a ser o 1º campeão da Libertadores. Foram necessários 3 jogos para definir o finalista, uma vez que os 2 primeiros jogos terminaram empatados: 1x1 no Centenário, em Montevidéu, e 0x0 no El Palacio. O jogo desempate também aconteceu em Montevidéu, o Peñarol venceu por 2x1. Chegava ao fim a 1ª campanha de um clube argentino na história da competição. O San Lorenzo teve de esperar 55 edições da Libertadores para comemorar o seu 1º e, até agora, único título, na temporada 2014. El Ciclón avançou em 2º lugar num grupo que tinha Unión Española, Independiente del Valle e Botafogo. Nas oitavas de final, duelo duro contra o Grêmio e decidido apenas nos pênaltis, após vitórias dos mandantes, nos 2 jogos, por 1x0. Pelas quartas de final, a equipe azulgrana enfrentou outro brasileiro, o Cruzeiro. Vitória por 1x0 no Nuevo Gasómetro e empate por 1x1 em Belo Horizonte deram a classificação para as semifinais, onde o adversário seria o Bolivar. O caminho para a final ficou muito tranquilo após o jogo de ida, no Nuevo Gasómetro, com a vitória por 5x0. Nem a altitude de La Paz foi o suficiente para impedir o San Lorenzo de chegar a sua 1ª final de Libertadores, mesmo com a derrota por 1x0. A final foi contra o Nacional do Paraguai, que também buscava o título inédito. Na ida, disputada no Defensores del Chaco, empate por 1x1, com gol do experiente Mauro Matos para o Ciclón. No jogo de volta, em Buenos Aires, o Nuevo Gasómetro lotado comemorou o título, até então inédito, do San Lorenzo com a vitória por 1x0, gol de Nestor Ortigoza, um dos jogadores mais regulares do time na vitoriosa campanha.
Boca Juniors, de 1º finalista argentino a carrasco de brasileiros.
Em 1963, o Boca Juniors começou a escrever sua riquíssima história na Libertadores, ainda chamada de Copa dos Campeões da América, e se tornou o 1º clube argentino a chegar à final da competição. Após passar por Universidad de Chile e Olímpia, na 1ª fase, e pelo bicampeão Peñarol, nas semifinais, os Xeneizes enfretaram na decisão o poderoso Santos de Pelé. No jogo de ida, em Santos, vitória apertada do Alvinegro Praiano por 3x2. Na volta, em La Bombonera, o Santos venceu novamente, dessa vez por 2x1, de virada, com direito a uma atuação monumental do histórico goleiro Gylmar dos Santos Neves, que acabou com o sonho de titulo Xeneize. A se destacar na grande campanha do Boca a participação de José Sanfilippo (Sim, o mesmo que brilhou com o San Lorenzo), que foi o goleador do torneio com 7 gols, se tornando o 1º artilheiro argentino da Libertadores. A equipe Azul y Oro ganharia o seu 1º título em 1977, após deixar pelo caminho o arquirrival River Plate, os uruguaios Defensor Sporting e Peñarol, Deportivo Cali da Colômbia e Libertad do Paraguai, até chegar a final contra o então atual campeão, o Cruzeiro. A final foi disputada em 3 jogos. Na ida, em La Bombonera, vitória Xeneize por 1x0, gol de Carlos Veglio, na volta vitória do Cruzeiro por 1x0, no Mineirão. A partida desempate aconteceu em Montevidéu e terminou 0X0, levando a decisão para os pênaltis. A série de cobranças ficou empatada até o 4x4, com todos os cobradores convertendo sua respectiva cobrança, a 5ª cobrança do Boca ficou a cargo do atacante Darío Felman, que não decepcionou, colocando o Boca Jrs em vantagem. Aí brilhou o goleiro Hugo Gatti, que defendeu a cobrança de Vanderlei e colocou o nome do Boca Juniors na galeria dos campeões da Libertadores. Gatti não só pegou o pênalti decisivo na final, mas também teve papel fundamental na fortíssima defesa Xeneize, que só levou 3 gols em 13 jogos. Em 1978, o Boca ganhou o bicampeonato vencendo o Deportivo Cali por 4x0 em La Bombonera, após empate na Colômbia por 1x0. Depois só voltou a ganhar a competição no ano 2000, quando ganhou do Palmeiras a final nos pênaltis, a partir daí começou a construir a fama de carrasco dos brasileiros no torneio sul-americano. Em 2001, a equipe de la Boca ganharia o 2º bicampeonato da sua história, novamente nos pênaltis, ao vencer o Cruz Azul, após despachar os brasileiros Vasco da Gama, nas quartas de final, e o Palmeiras, na semifinal. A 5ª conquista do time Azul y Oro foi em 2003, novamente passando por Brasileiros. Nas oitavas de final a zebra passeou por La Bombonera e o Paysandu conseguiu uma histórica vitória por 1x0, até então apenas a 3ª derrota em casa do Boca Juniors para times brasileiros. No jogo da volta, em Belém, o Papão não conseguiu segurar a vantagem e o Boca espantou a zebra ao vencer por 4x2, 4x3 no agregado. Na final os Xeneizes teriam a chance da revanche contra o Santos, algoz na final de 1963. Com 2 vitórias, por 2x0 em Buenos Aires e 3x1 em São Paulo, o Boca devolveu a derrota de 1963. A última conquista do time foi em 2007, novamente com time brasileiro pelo caminho, dessa vez o Grêmio, adversário na final. O Boca Juniors sobrou e venceu os 2 jogos, na ida por 3x0, em La Bombonera, e na volta por 2x0, no antigo estádio Olímpico, conquistando sua 6ª e última Taça.
Independiente, 1º argentino campeão e maior vencedor da história da Libertadores
A última edição da Libertadores da América com a denominação de Copa dos Campeões da América foi disputada em 1964 e trouxe o 1º de 24 títulos argentinos na competição. O Independiente foi o representante argentino. Na 1ª fase, El Rojo se classificou na liderança do grupo que tinha ainda o colombiano Millonarios e o peruano Alianza Lima. Nas semifinais o adversário seria o atual bicampeão da Libertadores e Mundial, o Santos. O Independiente venceu os 2 jogos. O jogo de ida ocorreu no velho e lendário Maracanã e teve vitória do Rojo por 3x2, de virada, após estar perdendo por 2x0. Os gols do Independiente foram marcados por Mario Rodríguez, Raúl Emilio Bernao e Luis Suárez. Na volta, em Avellaneda, nova vitória da Equipe Roja, desta vez por 2x1, com gols de Miguel Mori e Mario Rodríguez. Na época a imprensa brasileira e os jogadores do Santos reclamaram muito de favorecimento da arbitragem ao Independiente. Em 2015, surgiram gravações onde Júlio Grandona, presidente do Independiente em 1964, se gaba de ter "ganho" o árbitro holandês Leo Horn e os 2 assistentes. Na final o Independiente teria pela frente o Nacional do Uruguai. Após empate por 0x0 no Centenário em Montevidéu, o Rojo ganhou no Doble Visera por 1x0, gol de Mario Rodriguez, artilheiro dessa Libertadores com 6 gols. Em 1965 o Independiente sagra-se bicampeão, após passar pelo Boca Juniors na semifinal e bater o Peñarol na final. Contra os uruguaios foram necessários 3 jogos para definir o título. Na ida 1x0 pro Rojo, em Avellaneda, gol do ídolo Raúl Bernao, no jogo de volta vitória do Peñarol por 3x1. O jogo desempate foi no estádio Nacional, em Santiago no Chile, com vitória 4x1 do Independiente, gols de Carlos Pérez (Contra), Bernao, Roque Avallay e Osvaldo Mura. Começava a construir-se a fama de Rey de Copas, que se solidificou após o tetracampeonato conquistado de 1972 a 1975. Na decisão de 1972, o Rojo bateu o Universitario do Perú, após empate por 0x0, em Lima, e vitória por 2x1, em Avellaneda, 2 gols de Eduardo Maglioni. Em 1973, a final foi contra Colo-Colo e os 2 jogos terminaram empatados 1x1 e 0x0, respectivamente em Avellaneda e Santiago, sendo necessária a realização do jogo desempate em Montevidéu, no qual o Rojo ganhou por 2x1, com gols de Mario Mendoza e Miguel Angel Giachello. Novamente muita controvérsia em relação a arbitragem, assim como foi em 1964. O Colo-Colo reclama muito da arbitragem nos jogos finais, no Chile a polêmica é chamada de “El robo de Avellaneda”. Na conquista de 1974, o Rojo encarou o São Paulo na final. Mais uma vez foi necessário o jogo desempate, pois o Tricolor Paulista venceu por 2x1 o jogo de ida, em São Paulo, e o Independiente venceu na volta por 2x0, gols de Ricardo Bochini, maior ídolo do clube e que só vestiu a camisa roja na carreira, e Agustín Balbuena. No jogo derradeiro, o Rey de Copas venceu por 1x0, gol do lateral esquerdo uruguaio Ricardo Pavoni. O tetracampeonato foi conquistado em 1975, quando o Rojo enfrentou o Unión Española do Chile na final. No jogo de ida, em Santiago, vitória do Union por 1x0. Na partida em Avellaneda, o Rojo venceu por 3x1, gols de Percy Rojas, Ricardo Pavoni e Daniel Bertoni. Assim como nos 2 anos anteriores, a decisão foi para o jogo desempate, disputado em Assunção, no Defensores del Chaco. Ruiz Moreno e Daniel Bertoni marcaram os 2 gols no jogo realizado no Paraguai e, com o placar de 2x0, o Independiente ganhou do Unión Española e chegou ao 6º título de sua história na Libertadores. O 7º e último título foi conquistado em 1984. O adeversário da final foi o Grêmio, que buscava o bicampeonato, após título em 1983. Mas o sonho do bicampeonato do Tricolor Gaúcho começou a ruir no jogo de ida, no estádio Olímpico, quando o Independiente venceu por 1x0, gol de Jorge Burruchaga, campeão do mundo com a seleção argentina em 1986. Com o 0x0 no jogo de Avellaneda, no estádio Doble Visera, que seria demolido em 2007 para dar lugar ao estádio Libertadores da América, o Independiente sagrou-se campeão pela 7ª vez na história da Libertadores. Além de maior campeão, o Rey de Copas também se orgulha de ter 100% de aproveitamento em finais, ganhando todas as 7 que disputou.
Estudiantes, o pequeno que ficou gigante graças a Libertadores
Se teve um time argentino que chegou com tudo na Libertadores em suas primeiras participações, esse time foi o Estudiantes de La Plata. Até então considerado pequeno dentro do futebol argentino, o time comandado pelo histórico e lendário técnico Osvaldo Zubeldía, havia ganho o seu 1º título nacional em 1967, o que credenciou o time da cidade de La Plata para a disputa continental em 1968. Com Zubeldía no comando a equipe Pincharrata conquistou os 3 títulos em suas 3 participações iniciais na competição. A 1ª conquista foi em 1968, quando o time platense passou por Independiente, os colombianos Deportivo Cali e Millonarios, Universitario do Perú, e pelo Racing até chegar à decisão contra o Palmeiras. No jogo de ida final, o Estudiantes venceu em La Plata por 2x1, gols de Eduardo Flores e Juan Ramón Verón. Na volta, o Palmeiras venceu por 3x1 em São Paulo. Como não havia o critério do saldo de gols naquela época, foi necessária a realização de um jogo desempate para definir o campeão, disputado no estádio Centenário em Montevidéu. No 3º jogo o Estudiantes venceu o Palmeiras por 2x0, gols de Felipe Ribaudo e Juan Ramón Verón, que começou a virar lenda no clube ao conduzir o time à inédita conquista. O bicampeonato veio 1969, quando o Estudiantes bateu o Nacional, vencendo os 2 jogos. Em montevidéu, vitória por 1x0, gol de Eduardo Flores. Na volta, vitória Pincharrata por 2x0. Eduardo Flores, que havia marcado o gol na ida, fez o 1º gol no jogo decisivo, disputado em La Plata, o placar foi completado por Marcos Conigliaro. Essa edição da Libertadores ficou marcada pela não participação de representantes argentinos e brasileiros devido a desacordo em relação ao regulamento da competição. Vale lembrar que o Estudiantes teve vaga no torneio por ser o então atual campeão e não como representante às 2 vagas que a Argentina tinha direito. O tricampeonato veio em 1970, novamente os brasileiros não estariam no caminho do Estudiantes. Uma das alegações da CBD - Confederação Brasileira de Desportos (Atual CBF), era priorizar a preparação da seleção para a Copa do Mundo. Se não tinha os brasileiros como concorrentes, os representantes da AFA estavam de volta e o Estudiantes cruzou com River Plate nas semifinais, vencendo os 2 jogos e avançando para sua 3ª final consecutiva. O adversário na final, assim como 1969, foi outro uruguaio, dessa vez o Peñarol. Os Pincharratas venceram por 1x0 na Argentina, gol de Néstor Togneri, e empataram em Montevidéu por 0x0 para erguer mais uma Taça Libertadores da América. O último título do time de La Plata foi em 2009. Se em 1969 e 1970 o Estudiantes não teve a concorrência de brasileiros, o mesmo não se pode dizer de 2009, quando enfrentou o Cruzeiro na fase de grupos e novamente na decisão. Após 0x0 em La Plata, o Cruzeiro saiu na frente no Mineirão lotado, aos 7 minutos do 2º tempo, no entanto, o Estudiantes não se intimidou e o ídolo Juan Sebastian Verón, filho de Juán Ramón Verón, campeão com o time na década de 1960, comandou a virada, iniciando a jogada do gol de empate, marcado por Gastón Fernández, e cobrando o escanteio na cabeça de Mauro Boselli, artilheiro daquele ano, que marcou o gol que sacramentou o último título Pincharrata.
Argentinos Juniors, celeiro de craques e campeão continental
Quando se fala em Argentinos Juniors, a imagem que vem a cabeça é de um time formador de craques, afinal em La Paternal surgiu, entre outros craques, Diego Armando Maradona, para muitos o maior jogador argentino da história. El semillero del Mundo, como é conhecido, representa o espírito desse trabalho feito nas divisões inferiores do clube. Foi com um time formado basicamente em suas divisões inferiores e comandado pelo técnico José Yudica que o Bicho colorado surpreendeu a muitos ao conquistar a Taça Libertadores da América em 1985. A equipe terminou a 1ª fase empatada em pontos com o Ferro Carril, o outro representante argentino na competição, a frente dos brasileiros Vasco da Gama e Fluminense. Como só avançava o campeão do grupo, foi realizado um jogo desempate vencido pelo Bicho por 3x1. Na segunda fase, o time Colorado ficou em 1º num grupo que tinha Independiente, campeão em 1984, e o Blooming da Bolívia, garantindo assim a passagem para a final, onde enfrentaria o América de Cali. A 1ª partida foi realizada em Buenos Aires, no Monumental de Núñez, e o Bicho venceu por 1x0, gol de Emilio Commisso. No jogo da volta realizado em Cali, no estádio Pascual Guerrero, vitória do América, também por 1x0. O equilíbrio prevaleceu no jogo desempate, disputado Defensores del Chaco, e terminou 1x1, o gol do Bicho foi de Emilio Commisso, assim como na partida de ida. A decisão foi para os pênaltis, quando os 4 primeiras cobradores de cada time converteram suas cobranças. A 5ª cobrança do América foi defendida pelo goleiro do Bicho, Enrique Vidallé, dos pês de Mario Videla saiu a cobrança que determinou a vitória do Argentinos Juniors por 5x4 nos pênaltis, garantindo o surpreendente título ao time de La Paternal.
River Plate, o argentino com mais participações
O River Plate é o clube argentino com mais participações na história da Libertadores. Em 2018 o time Millonario disputará sua 34ª Libertadores. O time de Nuñez ainda tem o recorde participações consecutivas de um agentino na Libertadores, entre 1995 e 2009 o River esteve presente em todas as 15 edições do torneio nesse período. A 1ª conquista dos Millonarios foi em 1986, quando o time enfrentou o América de Cali na final, depois de passar por Montevideo Wanderers, o arquirrival Boca Juniors, Peñarol, Barcelona de Guayaquil e, o então atual campeão, Argentinos Juniors. O River ganhou o jogo de ida diante dos Diablos Rojos, em Cali, por 2x1, gols de Juan Gilberto Funes e Norberto Alonso, este um dos maiores goleadores da história do River. A 1ª conquista dos Millonarios foi sacramentada com a vitória por 1x0 no jogo de volta, no Monumental de Nuñez, gol de Funes. A 2ª Taça só viria 10 anos depois, em 1996. A equipe comandada pelo técnico Ramón Díaz se classificou tranquilamente em 1º lugar na chave que tinha o San Lorenzo e os Venezuelanos Minervén e Caracas. Nas oitavas-de-final o time Millonario passou pelo Sporting Cristal do Perú, nas quartas-de-final pelo San Lorenzo e pelo Universidad de Chile, na semifinal. Na final um reencontro com o América de Cali, que venceu o jogo de ida no Pascual Guerrero por 1x0. No jogo de volta brilhou a estrela de Hernán Crespo, o então jovem atacante marcou os 2 gols que deram o título ao River. O 3ª titulo Millonario foi em 2015, uma conquista que serviu de reafirmação para o clube, que havia retornado à 1ª divisão em julho de 2012, após passar 1 ano na Primeira B Nacional (2ª divisão). O time avançou em 2º no grupo, atrás do Tigres do México e a frente de Juan Aurich e San José. Lembrando que o River só passou graças a uma vitória do Tigres na última rodada contra o Juan Aurich, no Perú. Com isso bastou aos Millonarios vencerem o San José, ultrapassando o time peruano na tábua de classificação e, assim, evitou a eliminação precoce. Nas oitavas-de-final o arquirrival Boca Junior pela frente. No Superclássico de ida, vitória do River por 1x0, no Monumental de Nuñez, gol de Carlos Sanchez de pênalti. Na volta, em La Bombonera, o jogo foi para o intervalo empatado por 0x0, ao retornar para o 2º tempo, os jogadores do River foram atacados com gás de pimenta por torcedores Xeneizes, além de vários objetos arremessados ao gramado. O arbitro Darío Herrera decidiu encerrar a partida, mesmo com toda a pressão de dirigentes do Boca para continuar com a partida. O Boca Juniors foi eliminado da Libertadores pela Conmebol e o River avançou às quartas-de-final para encarar o Cruzeiro. Após derrota no Monumental de Nuñez por 1x0, os Millonarios atropelaram a equipe Celeste em pleno Mineirão, vencendo por 3x0, gols de Carlos Sanchez, Jonatan Maidana e Téo Gutierrez, diante de mais 50 mil pessoas. Na semifinal, o River Plate passou pelo Guarani, vencendo em Buenos Aires por 2x0, gols dos uruguaios Carlos Sanchez e Rodrigo Mora. A classificação à final foi confirmada com um empate por 1x1 em Assunção. O Tigres do México, adversário que ajudou o River a passar da fase de grupos, era o adversário da final. No jogo de ida, realizado no estadio Universitario, na região metropolitana de Monterrey, empate por 0x0. Na partida de volta mais de 60 mil pessoas encheram o Monumental de Nuñez para ver a vitória do River por 3x0. Lucas Alario, de cabeça, abriu o caminho da vitória. Carlos Sánchez, de pênalti, marcou o 2º gol. O placar foi completado por Ramiro Funes Mori, de cabeça, após cobrança de escanteio. Destaque para Marcelo Gallardo, campeão com o River em 1996 como jogador e em 2015 como técnico.
Velez Sarsfield, título na era Bianchi-Chilavert
Até 1992 o Velez só possuía 1 título nacional no futebol argentino, conquistado em 1968, e não era considerado uma das forças do país. A coisa começou a mudar com a chegada do técnico Carlos Bianchi, que foi ídolo como jogador do clube, sendo inclusive campeão no título nacional de 1968. Bianchi levou El Fortín ao título do Clausura em 1993, garantindo a participação na Libertadores de 1994. Na competição continental, o Velez mostrou força na fase de grupos ao passar na 1ª colocação, num grupo fortíssimo que tinha o ótimo time do Palmeiras, que foi bicampeão brasileiro em 1993-94, o Cruzeiro, além do Boca Juniors. Nas oitavas-de-final, um duelo complicado contra o Defensor do Uruguai. Após 2 empates, 1x1 no José Amalfitani e 0x0 no tempo regulamentar na partida de Montevidéu, a decisão foi para os pênaltis. Foi aí que o goleiro paraguaio José Luis Chilavert começou a escrever seu nome na história do clube. Chilavert converteu sua penalidade e defendeu 2 cobranças do time uruguaio para levar o Velez às quartas-de-final. O adversário era o Minervén, 1º time venezuelano a chegar a uma quartas-de-final de Libertadores. Depois de empatar na Venezuela por 0x0, o Velez venceu no José Amalfitani por 2x0, gols de José Flores e Omar “El Turco” Asad. Na semifinal um duelo duríssimo contra o Junior de Barranquilla. Na partida de ida, no Estádio Metropolitano Roberto Meléndez, vitória do time colombiano por 2x1, Flores marcou o gol do Velez. No Jose Amalfitani, El Fortin devolveu o placar de 2x1, gols de Christian Bassedas Bassedas e Flores. A decisão foi para os pênaltis, quando os 4 primeiros cobradores de cada time converteram suas cobranças. Flores errou a 5ª cobrança, defendida pelo goleiro colombiano José Pazo. A sobrevivência do Velez dependia de Chilavert, que já havia convertido sua cobrança. O defensor Héctor Méndez foi para a cobrança, mas Chilavert brilhou novamente e manteve o Velez na disputa. José Basualdo converteu a 6ª cobrança e colocou El Fortin em vantagem. Ronald Valderrama (Não confundir com Carlos Valderrama, que também estava no elenco do Júnior naquela Libertadores) acertou a trave direita do gol de Chilavert na 6ª cobrança do time colombiano e, assim, o Velez avançava para a inédita final. O forte São Paulo, bicampeão da Libertadores em 1992-1993, era o último obstáculo para o Velez Sarsfield escrever seu nome na galeria de campões da Libertadores. Em Buenos Aires, o Velez venceu por 1x0, gol de “Turco” Asad. O São Paulo devolveu o resultado jogando no Morumbi. Novamente os pênaltis selariam o trajetória do Velez. Chilavert já deu a vantagem ao time argentino logo na 1ª cobrança do Tricolor Paulista, ao defender a cobrança de Palhinha. Como abriu a série de cobranças, o Velez chegou a 5ª penalidade podendo fechar a decisão por pênaltis em 5x3. Coube a Roberto Pompei, com um chute forte que pegou no travessão e morreu dentro do gol, dar o título ao Velez Sarsfield, que desde então se consolidou como uma das forças do futebol argentino.
Ao todo 22 equipes argentinas disputaram a Taça Libertadores da América, vamos ver números dessas participações e campanhas de destaque de cada equipe.
Argentinos jrs
Participações: 3 (1985, 1986 e 2011)
Título(s): 1 (1985)
Arsenal de Sarandi
Participações: 4 (2008, 2012, 2013 e 2014)
Melhor participação: Quartas-de-final em 2014.
Atlético Tucumán
Participações: 1 (2017)
Melhor participação: Fase de grupos em 2017.
Banfield
Participações: 4* (2005, 2007, 2010 e 2018**)
Melhor participação: Quartas-de-final em 2005.
*Considerando a participação já encerrada na edição 2018
**Eliminado na(s) fase(s) preliminar à fase de grupos.
Boca Juniors
Participações: 26 (1963, 1965, 1966, 1970, 1971, 1977, 1978, 1979, 1982, 1986, 1989, 1991, 1994, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2007, 2008, 2009, 2012, 2013, 2015 e 2016)
Título(s): 6 (1977, 1978, 2000 ,2001, 2003 e 2007)
Vice-campeão: 4 (1963, 1979, 2004 e 2012)
Colón
Participações: 2 (1998 e 2010*)
Melhor campanha: Quartas-de-final em 1998.
*Eliminado na(s) fase(s) preliminar à fase de grupos.
Estudiantes
Participações: 14 (1968, 1969, 1970, 1971, 1976, 1983, 1984, 2006, 2008, 2009, 2010, 2011, 2015 e 2017)
Título(s): 4 (1968, 1969, 1970 e 2009)
Vice-campeão: 1 (1971)
Ferro Carril
Participações: 2 (1983 e 1985)
Melhor campanha: Fase de grupos nas 2 participações.
Gimnasia y Esgrima
Participações: 2 (2003 e 2007)
Melhor campanha: Fase de grupos nas 2 participações.
Godoy Cruz
Participações: 3 (2011, 2012 e 2017)
Melhor campanha: Oitavas-de-final em 2017.
Huracán
Participações: 3 (1974, 2015 e 2016)
Melhor campanha: 2ª fase em 1974*.
*Em 1974 a segunda fase reunia as 6 equipes qualificadas da 1ª fase dividas em 2 grupos de 3 times, com o vencedor de cada grupo indo à final. Logo, o Huracán ficou entre os 6 melhores times daquela edição.
Independiente
Participações: 19 (1961, 1964, 1965, 1966, 1968, 1972, 1973, 1974, 1975, 1976, 1978, 1979, 1984, 1985, 1987, 1990, 1995, 2004 e 2011)
Título(s): 7 (1964, 1965, 1972, 1973, 1974, 1975 e 1984)
Lanús
Participações: 6 (2008, 2009, 2010, 2012, 2014 e 2017)
Vice-campeão: 1 (2017)
Newell’s Old Boys
Participações: 8 (1975, 1988, 1992, 1993, 2006, 2010*, 2013 e 2014)
Vice-campeão: 2 (1988 e 1992)
*Eliminado na(s) fase(s) preliminar à fase de grupos.
Quilmes
Participações: 2 (1979 e 2005)
Melhor campanha: Fase de grupos nas 2 participações
Racing
Participações: 8 (1962, 1967, 1968, 1989, 1997, 2003, 2015 e 2016)
Título(s): 1 (1967)
River Plate
Participações: 33 (1966, 1967, 1970, 1973, 1976, 1977, 1978, 1980, 1981, 1982, 1986, 1987, 1990, 1991, 1993, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2015, 2016 e 2017)
Título(s): 3 (1986, 1996 e 2015)
Vice-campeão: 2 (1966 e 1976)
Rosário Central
Participações: 12 (1971, 1972, 1973, 1974, 1975, 1981, 1987, 2000, 2001, 2004, 2006 e 2016)
Melhor campanha: Semifinal em 2001.
San Lorenzo
Participações: 14 (1960, 1988, 1992, 1996, 2000, 2001, 2002, 2005, 2008, 2009, 2014, 2015, 2016 e 2017)
Título(s): 1 (2014)
Talleres
Participações: 1 (2002)
Melhor campanha: Fase de grupos em 2002
Tigre
Participações: 1 (2013)
Melhor campanha: Oitavas-de-final em 2013
Velez Sarsfield
Participações: 15 (1980, 1994, 1995, 1997, 1999, 2001, 2002, 2004, 2006, 2007, 2010, 2011, 2012, 2013 e 2014)
Título(s): 1 (1994).
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