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| Com passagens por Godoy Cruz e Argentinos Juniors, Gabriel Heinze chegou ao comando do Vélez em dezembro de 2017 |
O Vélez Sarsfield vive uma das piores fases de sua história,
desde o fim da ‘Era Gareca’, período vitorioso em que foi comandando por
Ricardo Gareca, e a derrota para o modesto Arsenal de Sarandí na final da
Supercopa Argentina de 2014, el Fortín vem em declínio a ponto de ser ameaçado
pelo promedios (critério de rebaixamento no futebol Argentino) em 2018.
Em sua última participação na Copa Libertadores da América
em 2014, não passou das oitavas de final, quando perdeu para o Nacional do
Paraguai (que seria o vice-campeão daquele ano), e viu seu elenco se
desmanchar. Mauro Zárete, ídolo da equipe, retornou ao futebol inglês, Héctor
Canteros foi para o Flamengo, Lucas Pratto, artilheiro, foi para o Atlético
Mineiro, Fernando Tóbio e Agustín Allione ao Palmeiras e Jonathan Copete para o
Santa Fé-COL, antes de chegar no Atlético Nacional-COL onde venceu a
Libertadores no ano seguinte e então foi contratado pelo Santos.
Nomes conhecidos em território brasileiro, que fizeram parte
do último grande time do Vélez, o restante do ano e início de 2015 deram
indícios que seria um período difícil, com reformulação no elenco e com técnico
novo, Miguél Angel Russo – campeão com o Vélez em 2005 - que havia assumido no
lugar de Ricardo Gareca (que foi para o Palmeiras após a Libertadores). O ano
começou com a disputa dos playoffs do torneio continental, em Mar Del Plata a
equipe acabou derrotada pelo Boca Juniors e viu o Estudiantes ficar com sua
vaga. No torneio nacional daquele ano, foram 30 partidas, apenas sete vitórias,
oito empates e quinze derrotas, terminando na 27º posição entre 30 times. Na
Copa Argentina a equipe avançou até as quartas de final, quando foi eliminada
nos pênaltis pelo Lanús. Os rebaixados naquele ano foram Nueva Chicago e
Crucero Del Norte, na 29ª e 30ª posição, bem distante da posição que ocupava el
Fortín naquele período, a confortável 13ª colocação.
No início de 2016, Míguel Angel Russo deixou o cargo de
treinador da equipe e Christian Bassedas, que atuava no departamento de futebol
do clube, assumiu o cargo. Com constantes mudanças no comando da AFA
(Associação de Futebol Argentino) e no regulamento do campeonato Argentino,
começou o torneio nacional no formato de fase de grupos. Duas chaves com 15
times cada, o vencedor de cada chave faria a finalíssima com o campeão da outra
chave. O Vélez de Bassedas tinha um elenco modesto com certo destaque para
Mariano Pavone e o surgimento da joia Maximiliano Romero. O clube acabou em 6º lugar no grupo A, não
brigou por competições internacionais, mas também não correu riscos, venceu
sete partidas, empatou três e perdeu seis. Sem os resultados esperados,
Bassedas era questionado e a derrota por 3 a 0 dentro de casa para o Racing no
fim do mês de setembro custou o cargo do ex-dirigente do Vélez que em seguida
treinou o Boca Unidos e o Olímpo. Ao fim da temporada, o saldo foi de duas
posições a menos nos promedios, ultrapassado por Tigre e Belgrano. A grande
decepção foi pela segunda fase da Copa Argentina onde acabou eliminado pelo
Juventud Unida nos pênaltis. Naquele ano apenas o Argentinos Jrs foi rebaixado.
A temporada 2016/2017 começou agitada em Liniers, Omar De
Felippe, o treinador ex-soldado na Guerra das Malvinas, foi contratado com a
missão de livrar o Vélez dessa situação incomoda. O torneio nacional voltou a
ter formato de pontos corridos, mas dessa vez com o rebaixamento de quatro
times (Aldosivi, Quilmes, Atlético Rafaela e Sarmiento Junín) e o acesso de
dois (Chacarita e Argentinos Jrs), o segundo com pontuação nos promedios
superior ao fortinero, o Vélez se aproximou ainda mais da zona de descenso.
Para o início da temporada, o Vélez contratou Hernán Barcos para solucionar o
problema de gols para el Fortín. O atleta chegou, emprestado pelo Sporting de
Portugal, e logo se machucou. Disputou apenas 11 partidas e marcou 2 gols, teve
seu contrato rescindido após um problema com o técnico De Felippe. Sem bons
resultados, o Vélez voltou ao mercado no meio da temporada e apostou forte em
Jonathan Cristaldo (um dos destaques do título de 2009) e Gonzalo Bergessio. A
equipe retornou bem na temporada, conseguiu algumas vitórias, mas teve derrotas
dentro do José Amalfitani que custaram o cargo do treinador. Omar De Felippe
não aguentou a pressão e pediu demissão, o treinador havia sido alvo de muitos
xingamentos e até mesmo cuspes da torcida que estava insatisfeita na derrota
por 2 a 0 para o Unión de Santa Fé. O treinador das categorias inferiores do
Vélez, Marcelo Gomez, conhecido como ‘El Negro’ Gomez, assumiu o comando
técnico da equipe nas últimas partidas restantes.
O alvo de críticas agora era o presidente do clube, Raúl
Gamez, que teria seu mandato encerrado ao fim da temporada. No torneio
nacional, o Vélez venceu apenas dez partidas, empatou sete e perdeu treze.
Sofreu 40 gols e terminou a temporada seis posições abaixo na tábua de promedios.
Antes mesmo do fim do campeonato, Raul Gaméz efetivou a venda da joia
Maximiliano Romero ao PSV da Holanda por 10 milhões de euros e no início de
novembro nas eleições, deixou a presidência e deu lugar a Sérgio Rapisarda,
candidato de oposição, para presidir o clube nos próximos quatro anos.
O ano de 2018 começa com reformulação em plena temporada,
Gabriel Heinze é o escolhido para treinar o Vélez. El Gringo, como é conhecido,
exigiu contratações, mas também fez dispensas. Ao todo foram seis jogadores
dispensados, vendidos e emprestados: Leandro Desábato (Vasco), Bergessio
(Nacional-URU), Cristaldo (Sem clube), Federico Andrada (Bari-ITA), Matías
Pérez (Tigre-ARG), Emiliano Amor (Kansas-EUA) e Maximiliano Romero (PSV-HOL).
As chegadas foram os defensores Marco Torsiglieri, Joaquín Laso e Luís Abram;
os meias Guido Mainero e Jesus Mendéz e os atacantes Rodrigo Salinas, Agustín
Bouzat e o mais esperado, Mauro Zárate, o ídolo que retornou ao clube.
El Gringo teve um bom tempo de pré-temporada, realizou
amistosos e fez sua estreia no retorno da Superliga fora de casa. Sem poder
contar com Zárate (por falta de documentos) e outros jogadores que ainda não
estavam na forma ideal, Heinze escalou uma equipe diferente e conseguiu a
vitória sobre o Defensa y Justicia em Florêncio Varela, com grande atuação de
César Rigamonti e gol de pênalti de Luís Amarilla. Em seguida, com reforços das
contratações incluído Mauro Zárate, novamente fora de casa, o Vélez acabou
derrotado pelo Chacarita por 2 a 0, confronto direto por pontuação nos promedios.
Em sua estreia no José Amalfinati, Heinze com força máxima teve outro confronto
direto, dessa vez com o Patronato e perdeu. Totalmente dominada pela equipe de
Paraná, o Vélez não criou oportunidades claras e sofreu com os contra-ataques.
Laso foi muito criticado e Zárate pouco acionado.
Gabriel Heinze modificou o padrão do time, trouxe Cubero
novamente para zaga e promoveu Henan De La Fuente para titularidade. Robertone
também ganhou a vaga no meio campo e a equipe passou a criar mais com Bouzat e
Mainero fazendo a bola chegar na frente. Em seu terceiro jogo no comando do
Vélez, a equipe foi até Córdoba enfrentar o Belgrano, as mudanças fizeram
efeito, el Fortín dominava as ações ofensivas e criava as melhores chances. Não
demorou para abrir o placar, mas Heinze ainda tinha problemas, a defesa parecia
desprotegida e no contra-ataque o Belgrano marcou dois gols em menos de 10
minutos. Houve melhora, mas a derrota custaria mais desconfiança e o próximo
adversário seria o River em Liniers. No fim da partida, Robertone sofreu e
bateu falta na intermediária, a bola chegou em Vargas que bateu para o gol
cruzado, o goleiro rebateu e Bouzat, no lugar certo, empurrou para o gol,
empate heroico e que mudou o ânimo da equipe.
Com casa cheia, Gabriel Heinze e seus comandados tinham uma
das melhores equipes do país pela frente. O River de Marcelo Gallardo sempre
muito perigoso começou em cima, Heinze tinha desfalques, e mesmo de local tinha
o contra-ataque como sua principal arma. O padrão foi alcançado e o time
atacava entre linhas com aproximação de Dominguéz e Robertone. Deu certo, em
bola recuperada pela direita, Vargas chuta cruzado e a bola cai no pé de Lucas
Robertone, o garoto com muita qualidade coloca a bola na rede. Segunda vitória
de Gabriel Heinze no comando do Vélez Sarsfield.
El Gringo deu um excelente passo, trouxe padrão, mudou
posições e colocou seu modo de ver futebol em prática. Mesmo na derrota para o
Racing na rodada seguinte, era possível ver a qualidade de passes que o
meio-campo trocava. Mas como nem tudo são flores, Heinze tomou uma decisão
nesta partida, o autor do gol do Vélez e ídolo da torcida, Mauro Zárate deixa o
campo substituído, nem mesmo o jogador entende sua saída. Naquela altura estava
2 a 1 para os mandantes e assim terminou a partida. Após a partida torcedores
questionaram muito essa troca, Heinze alegou que gostaria de um estilo novo
(colocou o garoto Bazan na partida) mas não convenceu ninguém. Durante a
semana, uma faixa aparece em frente ao centro de treinamento do Vélez com a
seguinte mensagem: “Heinze, estamos com você. Mas no Vélez, Mauro Zárate joga sempre!”
.
Em sua sétima partida, Gabriel Heinze já tinha provado um
pouco da impaciência da torcida. Terminou o primeiro tempo contra o Rosário
Central vencendo por 1 a 0, gol de Matias Vargas, retornou para o segundo tempo
sem mudanças e em menos de 20 minutos estava perdendo o jogo, sua defesa ainda
era instável, mas era hora de pensar no ataque. Aos 30 minutos do segundo
tempo, sob muitas vaias e críticas, ele novamente substitui o ídolo Mauro Zárate
para entrada de Rodrigo Salinas, em seu primeiro toque na bola, o camisa 11 do
Vélez marca o gol de empate um minuto depois de ter entrado. A torcida vai ao
delírio e jornalistas que já comentavam sobre a audácia do treinador precisam
reconhecer seu mérito.
O Vélez está a 12 pontos do Olímpo, tem oito jogos pela
frente, cinco em casa. Somente as mãos e o cérebro de Gabriel Heinze poderão
evitar uma catástrofe.
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