A largada da Superliga trouxe rivalidade e nivelamento
Depois de uma pré-temporada agitada, contando com Copa do Mundo e Libertadores, times argentinos voltam com fôlego para disputar o mais importante troféu nacional. O atual campeão, Boca Juniors, é o time a ser batido, enquanto os surpreendentes Godoy Cruz e Talleres sonham com a oportunidade que deixaram escapar na última temporada. Times tradicionais como Independiente, Huracan, San Lorenzo, Racing e River Plate vêm de temporada com muitas oscilações e esperam compensar este ano as fases contraditórias que os impediram de se colocar como postulantes a máxima conquista. Depois da primeira rodada, podemos enxergar o quão aberto está o campeonato e nada melhor do que passar por todos os jogos com breves análises para inaugurarmos uma nova fase neste portal. Vamos aos jogos.
A última temporada não foi nada fácil para as duas tradicionais equipes. Quis o destino que abrissem o campeonato – ambas precisando provar que poderiam fazer diferente. O Velez com seu jovem time foi quem levou a melhor. Em jogo dominante, os azuis decidiram tudo que precisava ser decidido já na primeira etapa. Luis Abram, um destes jovens do Velez que devemos ficar de olho, abriu o placar aos 2 minutos. De pênalti, Matias Vargas, outro jovem destaque, ampliou aos 27 minutos. Depois disso, foi só administrar o placar e Newell’s não mostrou muito poder de reação. Ainda há muito trabalho a ser feito.
Tigre e San Lorenzo viveram temporadas diferentes em 2017/2018. Enquanto os primeiros lutaram pela permanência na elite do futebol, o San Lorenzo foi, ainda que oscilante, um dos principais times do campeonato. Se não conseguiu desafiar o Boca, ao menos se garantiu na próxima Libertadores da America. Voltando ao jogo, o Tigre começou abrindo 2 gols de vantagem no marcador, mas viu o Ciclón empatar ainda na primeira etapa, um dos gols sendo feito pelo destaque do time Nicolás Blandi. A partida foi movimentada, com o time visitante propondo o jogo, mas sem conseguir dominar as ações. Fica para o Tigre um empate com uma das equipes mais difíceis de se bater no campeonato. E cada ponto somado é importante em prol de evitar o descenso.
Um resultado completamente estranho ao jogo. Não se assustem ao se deparar com as estatísticas. O Gimnasia abriu o placar no primeiro minuto e depois disso sequer chutou a gol. O Argentinos propôs o jogo, teve 67% de posse de bola, mas não conseguiu furar a boa defesa do Gimnasia. Se o Argentinos que voltar às competições internacionais vai ter que se garantir melhor no ataque. Mas, neste jogo, o que podia ser feito realmente foi. Um acaso extremamente feliz ao Gimnasia, que soma seus primeiros pontos contra um adversário complicado.
Foi o pragmatismo e o bom desempenho ofensivo que levou o Union Santa Fe a se classificar para uma Copa Internacional pela primeira vez em sua história, conquistando um digno décimo lugar na Superliga 17/18. O Aldosivi, que chegou gabaritado por boa campanha na segunda divisão, não conseguiu superar a organização do time da casa. Foi Franco Soldano que deu ao time da casa a vitória com um gol na segunda etapa. O futebol da equipe segue o padrão apresentado no ano passado – e é bom ficar de olho, pois pode estar até mais amadurecido. O time soube dominar as ações quando necessário e propor jogo. Vejamos o que a temporada trará.
É injusto dizer que este jogo foi chato. Muito movimentado, o jogo entre equipes que vieram de um resultado “meio de tabela” foi interessante. O Colón mostra boa evolução em seu jogo – que já vimos na valente vitória contra o São Paulo na Sul Americana e o Patronato sabe não se comprometer, ainda que peque nas conclusões. Se alguém merecia o resultado, certamente era o Colón. Mas o empate coube bem, ainda que a ausência de gols tenha sido uma fatalidade.
Outro jogo que teve o “azar do 0x0”. Ambas as equipes lutaram pelo resultado o quanto puderam, mas o saldo positivo fica para o San Martin, que arrancou um ponto fora de casa contra um adversário superior. Ao Belgrano, fica a lembrança de que foi a inconstância que deixou o time fora das competições internacionais no último campeonato. O time pode entregar mais.
Ah, o Talleres! Time que encantou aqueles que realmente assistiram ao futebol argentino na última temporada. Se não pelo futebol jogado, certamente foi pela guerra e pela surpresa que conseguiram armar. Foi o perseguidor do Boca por algumas rodadas e a queda de produtividade relegou o time ao 5º lugar – que ainda rendeu vaga na Libertadores. Certamente o time mais elogiado por este que vos escreve na última temporada. O Boca, atual campeão, dispensa apresentações. Com um time um pouco diferente do que enfrentou o Libertad, os atuais campeões não tiveram dificuldades. Não tivesse sido Tevez a perder um pênalti, a conta ainda poderia ser maior. O Talleres mostrou bom futebol apesar disso, tendo controle da posse de bola e ameaçando bem um adversário que está em outro patamar. Se não podem repetir a última temporada, ao menos tem tudo para honrá-la e não fazer feio nesta.
O Godoy Cruz foi vice-campeão da Superliga e manteve todo o elenco! Isso é inesperado para uma equipe de projeção menor, mas que vai se destacando nos últimos anos. O Estudiantes, ainda vivo na Libertadores, precisa sair da ressaca da última temporada, mas certamente haverá tempo para isso. Neste jogo, dominou todas as ações, mas foi punido pela displicência, fazendo um pênalti no último minuto. Não há dúvidas que esse time pode crescer e esse jogo foi um acaso. Bom para o Godoy Cruz, que jogando bem ou mal, pontua.
Outra surpresa da última temporada, o Defensa y Justicia vem se colocando como um time regular de meio de tabela nos últimos anos. O Lanus já não é mais o mesmo time que foi vice campeão da Libertadores em 2017, tendo se reconstruído e ainda segue na busca de ser um time competitivo. O jogo entre os dois, no entanto, foi pouco movimentado, apesar da grande quantidade gols. O Lanús marcou duas vezes no primeiro tempo e veio do banco a solução dos visitantes: Nicolas Fernandez marcou duas vezes em um intervalo de 3 minutos e a equipe voltará pra casa com um ponto valioso.
O Rosario teve uma temporada abaixo da média em 2017/2018. O Banfield não foi muito diferente, mas com o elenco mais limitado fez o que estava no alcance. A missão dos canallas é se recuperar esse ano e trazer Edgard Bauza para o trabalho parece um sinal dessa mentalidade, além de um elenco com novas peças e novos testes de antigas peças. O jogo, em si, foi chato; o zagueiro estreante Caruzzo fez o único gol em um jogo que o Rosario dominou por completo, mas criou com pouca qualidade.
Outro jogo aquém das expectativas, Huracán e River começaram iguais na temporada com um empate sem gols. Martinez errou um pênalti para o lado do River e, mesmo com os Millionarios dominando a posse de bola, pouco foi possível fazer. O Huracan ainda sonha em dar um passo maior nessa temporada e brigar pelo título, já que na última temporada ainda havia gás pra mais. A vaga na Libertadores foi uma ótima conquista, mas o Globo pode fazer mais? Talvez, tendo o elenco mais limitado, seja mais sensato dizer que é difícil. Perdeu sua jóia, Pussato, e vai ser difícil repor a falta que ele fará; o time, contudo, segue coerente. O River precisa de foco, mas pode conciliar bem a Libertadores com a Superliga em 2018, tendo elenco pra brigar pelas duas competições. Vem forte.
Pra fechar a rodada, certamente o jogo mais divertido da abertura! O Racing tinha em suas mãos a vitória na primeira etapa, mas deixou escapar contra o aguerrido Tucumán, que fez seus dois gols no segundo tempo. Múltiplas chances foram criadas para ambos os lados. A equipe de Tucumán vem vivendo uma era dos sonhos, disputando competições internacionais e criando um estilo de jogo capaz de fazer frente aos grandes clubes. O Racing perdeu Lautaro Martinez nesta janela de transferências, mas segue com um dos elencos mais fortes da América do Sul. Pode brigar pelo título, mas há de ser mais constante. Na Libertadores, segue vivo o sonho.
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