Sampaoli durante a derrota por 6x1 diante da Espanha
A derrota por 6x1 da Argentina
ante a Espanha escancara uma série de problemas que o futebol argentino vem
enfrentando nos últimos anos e que refletem no mal desempenho recente da
seleção. Assim como o Brasil, a Argentina têm muitos problemas organizacionais
como o calendário e um campeonato que agora está tentando achar um modelo ideal,
ainda assim inflado. Lá como cá o futebol sofre com dirigentes que se perpetuam
no poder e são figuras nocivas ao futebol. O futebol jogado na Argentina,
apesar de uma capacidade maior de revelar bons técnicos, é fraco tecnicamente. Essas
questões mais complexas que não caberiam num texto breve e escrito
apressadamente como este. Vamos abordar então, o material humano a disposição
atualmente da seleção.
Goleiros
Há muito tempo a Argentina não
tem um goleiro que seja absoluto na posição. Romero, que apesar de ter feito
uma boa Copa do Mundo em 2014, sempre foi visto com desconfiança por parte da
torcida albiceleste. Cavallero vivia talvez o seu melhor momento antes do
mundial de 2014, ainda assim foi reserva de Romeiro. Atualmente no futebol
inglês, os 2 goleiros pouco jogam e ainda assim são convocados como os 2
principais arqueiros argentinos. Numa posição na qual o ritmo de jogo é tão
importante, por que não convocar outros goleiros? Franco Armani foi um dos
principais goleiros do futebol sul-americano nos últimos anos, quando vestiu a
camisa do Atlético Nacional. Atualmente no River, não vejo motivos para que o
goleiro não tenha sequer recebido nenhuma oportunidade. Outro que me parece
injustiçado é Agustín Marchesín, atualmente no América do México. Marchesín
sempre foi muito regular desde os tempos de Lanús e é aquele tipo de goleiro
que se destaca pelo posicionamento e discrição em campo, que não precisa ser
espalhafatoso para aparecer.
Laterais
Desde a aposentadoria de Zanetti
e Sorín, a Argentina tem tido dificuldade de renovação nas 2 laterais.
Jogadores de qualidade muito questionável vêm sendo convocados, é o caso do fraquíssimo
Gabriel Mercado, além do inseguro e inconstante Marcos Rojo. Numa posição tão
carente no futebol argentino, não é de se estranhar que o jovem e pouco
experimentado Fabrício Bustos seja alçado prematuramente ao posto de grande
esperança para a lateral direita.
Do meio para frente também falta
renovação
Não é compreensível a permanência ou a convocação
de alguns jogadores que pouco fizeram com a camisa albiceleste ou que não tem
feitos na carreira que justifique a sua presença na seleção. Benega, Perotti, Fazio,
Acuña, Pablo Perez, Lanzini, Salvio, só para citar alguns. Sinceramente, vários
não são importantes nem em seus clubes.
Faltando tão pouco tempo para a
Copa do Mundo, Sampaoli tem muitos problemas para se preocupar e não conseguirá,
em tão pouco tempo, implementar o futebol compacto, organizado e coordenado que
conseguiu na seleção chilena, por exemplo. A solução para a Argentina é que seu
comandante entenda as limitações do time e aposte no seu craque, que é capaz de
decidir qualquer jogo em um lance. Apostar numa linha defensiva mais forte e
compacta, até jogando como “time pequeno” em alguns momentos, e fazer o jogo
passar pelos pés de Messi, pode levar a Argentina mais longe nesse mundial.
Caso contrário, o risco de eliminação na fase de grupos é grande, pois o grupo
D tem as boas seleções da Nigéria e Croácia, além da Islândia que pode
complicar na estreia. Mas do que nunca o torcedor argentino roga aos deuses da
bola que Lionel Messi chegue a Copa do Mundo saudável e no seu melhor nível, só
assim a Argentina terá alguma chance.
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