O Rei de Copas volta aonde se sente mais à vontade: Copa Libertadores.




O Independiente está de volta após 7 anos ao torneio que tão bem lhe senta e de qual é o maior campeão com 7 conquistas. O título da copa Sul-Americana obtido em cima do Flamengo no mítico Maracanã, credenciou a volta dos Diablos Rojos direto à fase de grupo da Libertadores.

A equipe argentina irá compor o grupo G junto ao Corinthians, último campeão brasileiro, Milionários da Colômbia, vencedor do Campeonato Colombiano, e o Deportivo Lara da Venezuela, que foi o segundo colocado no campeonato do respectivo país e, apesar de ter perdido o jogo de estreia para o Deportivo Lara, tem grande chance de se classificar para a próxima fase.

Após algum tempo, a Libertadores conta com vários candidatos ao titulo e não se pode descartar o maior vencedor da competição: o Independiente.
Grande contribuição nisto tem o treinador Ariel Holan. A sua chegada ao clube foi conturbada com questionamentos sob sua capacidade, tendo em vista que suas origens vinham do hóquei sobre a grama, e com o vazamento de um áudio no qual mencionava fazer uma limpa em medalhões e questionando metodologias de jogo de treinadores anteriores. A base de trabalho, aproximação com vários ídolos antigos (Bochini, Pavoni, Santoro), uso de tecnologia e perfil baixo, o Independiente retomou seu bom futebol que o levaram a se consagrar inúmeras vezes nos anos 60, 70 e 80, aproximando a torcida ao time como a décadas não se fazia.

Não menos importante, mas com muito menos visibilidade, a comissão diretiva tem tido um papel fundamental neste crescimento do clube. A direção conduzida pelo líder sindical Hugo Moyano tem contribuído com a reorganização administrativa e financeira do clube, revitalizando patrimônios, mantendo salários em dia e renegociando dividas. Como nem tudo são flores, faltaria esclarecer valores de transferências (como no caso da de Rigoni ao Zenit da Russia), explicar a dificuldade no fechamento de reforços e o tratamento com o Barra Brava, que teve seus lideres presos, a declaração de Pablo Alvarez antigo líder da organizada dizendo que a ameaça ao treinador Holan foi solicitada pelo vice-presidente do clube e filho de Hugo, Pablo Moyano, e a prisão do antigo vice-presidente Noray Nakis. Em termos geral, o saldo é positivo para que o treinador e jogador só tenham que se preocupar em fazer um bom desempenho em campo para levar o clube ao patamar que merece.
Para a temporada 2018 o Independiente perdeu o capitão e lateral esquerdo Tagliafico, vendido ao Ajax da Holanda, o volante Nery Dominguez, que finalizou seu empréstimo e trocou de calçada ao assinar com o Racing, o meia Walter Erviti, que teve seu contrato rescindido após o treinador Ariel Holan mencionar que não seria utilizado, Nestor Breitenbriuch, também com contrato rescindido, a grande promessa Ezequiel Barco que transferiu-se para o Atlanta United da MLS no que foi a segunda maior transferência da história do Independiente, U$S 15 milhões (atrás apenas do Sergio Agüero vendido por U$S 25 milhões ao Atlético de Madri) e sob o fim da janela de transferências o atacante Lucas Albertengo, emprestado ao Rayados de Monterrey do futebol mexicano.

Incorporações o campeão da Sulamericana fez seis. Emanuel Britez, lateral direito proveniente do Unión de Santa Fé por empréstimo,  Brian Romero, atacante que joga pelas extremidades que veio do Argentinos Jrs, Jonathan Menéndez, jovem promissor que veio do Talleres de Córdoba e atua como atacante pelas laterais, Fernando Gaibor, volante destaque do Emelec com passagem pela seleção equatoriana e muito pretendido por Ariel Holan, Diego Verón, outro atacante com bom chute de boa distancia que estava no futebol dos EUA, e Silvio Romero, ponta de lança que tinha sido solicitado pelo treinador e irá disputar a titularidade com Emanuel Gigliotti. A chegada tardia dos reforços não permitiu que Holan pudesse aproveitar a pré-temporada para a preparação e entrosamento do time.


RETROSPECTIVA 2018

SUPERLIGA ARGENTINA

O Rojo iniciou o ano com dois amistosos: um pálido 0 a 0 com Gimnásia e Esgrima la Plata, e uma vitória nos pênaltis contra o clássico rival, Racing Club. No jogo pendente pela Superliga Argentina, empatou com o Rosario Central em 1 a 1 no Libertadores de América. Foi superior durante todo o jogo, más não conseguiu transformar tal superioridade em gols. Dias depois recebeu o Estudiantes de La Plata, onde demonstrou falta de entrosamento e desorganização, perdendo o jogo após uma falha do goleiro Martin Campaña.
O time que não vinha apresentando bom futebol e nem tinha vencido no ano, reencontrou-se em Santa Fé ao visitar o Colón no “Cemitério de Elefantes” (estádio assim conhecido pois os grandes da Argentina não têm bom retrospecto). Com gol de Leandro Fernandez, trouxe os 3 pontos.
No jogo entre as finais da Recopa, o Independiente visitou o Temperley com um time repleto de reservas, criou as melhores chances, mas pecou pela falta de gol. 0 a 0, 1 ponto apenas contra um rival teoricamente mais acessível e distância do líder Boca Junior.
Já na previa da estreia da Libertadores, recebeu o Banfield no Libertadores e venceu por 1 a 0 com gol de Martin Benítez (que tinha falhado o pênalti decisivo na Recopa), com algumas surpresas no time titular e demonstrando uma superioridade futebolística durante todo o jogo.

RECOPA

O Rei de Copas deveria jogar com o San Lorenzo, mas pediu o adiamento do jogo para se preparar para a final da Recopa contra o Grêmio Portoalegrense. Já com mais treinamentos e entrosamento o Rojo recebia o campeão da copa Libertadores de 2017. Gaibor e Menéndez ganharam seus lugares, na defesa, Silva herdou o lugar de Tagliafico. O jogo começou truncado mas com o Independiente tendo as situações mais claras. Uma saída de bola errada de Amorebieta, entregou o gol para o Grêmio que pouco tinha feito no jogo. Abaixo no placar, o time de Avellaneda tomou conta do jogo e continuou criando chances.
Aos 28 minutos do primeiro tempo, Gigliotti agride Kanemman, zagueiro gremista, e após dar amarelo o juiz Roddy Zambrano solicitou o VAR e expulsou o atacante. Ainda com 10 o Independiente dominava a posse de bola e chegou ao empate após cruzamento de bola parada de Gaibor que Cortez desviou contra a própria meta. No segundo tempo, o time da casa mantinha a pose da bola até que o treinador gremista mexeu no time e no rumo do jogo. O conjunto brasileiro mandou no jogo, criou boas oportunidades, mas não quebrou a defesa Roja. 1 a 1 e tudo como no inicio para o jogo de volta.
Em Porto Alegre, Leandro Fernandez ocupou o lugar do expulsado Gigliotti e no meio “Torito” acompanhou Domingo, deixando Gaibor mais livre para a criação. O jogo era de ida e volta com o Grêmio criando as melhores chances, até que o VAR teve papel determinante novamente. Amorebieta isola bola na defesa e deixa a perna alta que atinge Luan, após confusão entre jogadores, o juiz solicita o VAR e expulsa o vasco-venezolano. Leandro Fernandez fora, Figal pra campo. Quando até o maior otimista torcedor Rojo achou que o jogo estava ali decidido, a equipe deu uma demonstração da sigla que há um ano criaram com as iniciais do escudo: Compromisso, Atitude e Intensidade. Com atuações descomunais do goleiro Campaña e do volante Nicólas Domingo, o Rei de Copas segurou o empate durante o segundo tempo e toda a prorrogação (teve chance ate de vencer o jogo) e acabou caindo nos pênaltis após Martin Benítez desperdiçar a última cobrança.
Mesmo sem o título, a demonstração de raça e valentia na Recopa terminou que afiançar a relação de confiança da torcida com os jogadores e treinador, que será de vital importância no avanço durante a Libertadores.

ANÁLISE DO ELENCO

Goleiros: Martin Campaña, Damián Albil, Gonzalo Rehak.
Campaña mais do que insdiscutido, apagou pequenos questionamentos que surgiram após o jogo contra o Estudiantes, com monumentais atuações na final da Recopa, principalmente no jogo de volta onde fez, no mínimo, 5 defesas muito difíceis. Campaña irá a Copa do Mundo pelo Uruguai e provavelmente terá propostas para sair em julho. Para o banco o clube possuí a experiência de Albil e a juventude de Rehak.

Defensores: Alan Franco, Emanuel Brítez, Fernando Amorebieta, Fabricio Bustos, Gastón Silva, Juan Sánchez Miño, Nicolás Figal, Sergio Barreto y Gonzalo Asís.
A lateral direita é de Fabricio Bustos. O menino que despontou rapidamente e teve até convocação por Sampaoli, caiu um pouco de produção devido a algumas lesões, mas é titular indiscutível. Gonzalos Asis, promessa recentemente promovido aos profissionais e Emanuel Brítez, recém contratado são as opções diretas de revezamento.
Na zaga, Alan Franco é indiscutível. Cada vez joga melhor e demonstra uma segurança incomum aos 22 anos. Bom de jogo aéreo, excepcional nas coberturas, só deve se concentrar mais nos inícios dos jogos. A segunda posição da zaga é uma região em disputa: Amorebieta era o titular, mas após as falhas na final da Recopa tem tido sua vaga ameaçada por Nicolás Figal, que voltou de sua suspensão por doping e melhora seu rendimento a cada jogo, foi destaque entrando no jogo de volta da final da Recopa. Com Amorebieta o time ganha em altura e voz de mando, com Figal velocidade e agilidade. Brítez pode ocupar a zaga pela direita e Silva pela esquerda quando necessário (mesmo Holan o preferindo-o como lateral), além do jovem Sergio Barreto.
O lugar mais disputado da defesa é a lateral esquerda. A saída de Tagliafico será muito difícil de cobrir. Gaston Silva e Sanchez Miño disputam a vaga palmo a palmo. O uruguaio partiu com vantagem sendo titular na maioria dos jogos, mas Miño tem rendido em todos os jogos que disputou. Silva tem melhor marcação, posicionamento e jogo aéreo; Miño se destaca pelo apoio, cruzamento e presença no ataque.

Mediocampistas: Diego Rodríguez Berrini, Nicolás Domingo, Maximiliano Meza, Fernando Gaibor, Jonás Gutiérrez, Domingo Blanco y Diego Mercado.
Fernando Gaibor é um dos garantidos neste setor, seja como segundo volante ou mais adiantado, próximo da área. O equatoriano se destaca pelo bom passe e visão de jogo, além de ser muito bom em bolas paradas e boa presença ao longo do campo. Os outros dois volantes hoje disputam uma vaga ao lado de Gaibor: por um lado Diego Rodríguez, que de preterido ano passado passou a indiscutível no fim de 2017 pela sua entrega e número de desarmes; pelo outro Nicolás Domingo, que chegou questionado do River e a base de boas atuações tem se firmado, com voz de mando, organização em campo e desarmes, chegando ao auge numa atuação que beirou a perfeição no jogo de volta da Recopa, que lhe deu o crédito para iniciar como titular.
Outro indiscutível deste setor é Maximiliano Meza. O meia que no ano passado chegou a atuar de segundo volantes, teve suas melhores atuações como um dos 3 jogadores que atuam atrás do atacante de área, principalmente pelo meio ou pelo flanco direito. Habilidoso, com bom chute de media distancia e visão de jogo é peça certa no time titular, mesmo que não tenha repetido em 2018 as excelentes atuações do fim de 2017.
Compõe o setor o experiente e polivalente Jonás Gutiérrez, que atua como lateral ou volante, e incrementa na altura do time, os jovens Domingo Blanco, que teve algumas oportunidades e não conseguiu se firmar no profissional e a surpresa Diego Mercado, que é destaque na reserva, mas não tem jogado no profissional.

Delanteros: Jonathan Menéndez, Gastón Togni, Martín Benítez, Silvio Romero, Emmanuel Gigliotti, Mauro Molina, Gonzalo Verón, Leandro Fernández, Juan Manuel Martínez, Braian Romero y Francisco Pizzini
O ataque deve ser o setor com menos certezas na titularidade. O recém-chegado Jonathan Menéndez, aparenta ter herdado a vaga do Barco que foi para o futebol americano. O jogador vindo do Talleres, demonstrou muita rapidez, jogadas de linha de fundo e jogo coletivo, além de disciplina tática para ajudar na marcação.
Benítez e Leandro Fernández, são as opções para o terceiro homem da intermediária. Cria da base, Benítez que sempre foi muito questionado tem acumulado elogios devido a entrega e jogo objetivo; driblando, dando assistências e ajudando na recomposição. Leandro Fernández destaca-se pelos gols, mesmo demonstrando a melhor faceta como segundo atacante ou homem de área, tem se sacrificado para estar nos 11 titulares. Com boa presença de área como homem surpresa tem sido figurinha repetida entre os titulares.
Para ser a referência de área Emanuel Gigliotti, de excelentes atuações nas finais a sul-americana, ganhou um concorrente, o mui solicitado pelo treinador, Silvio Romero. Gigliotti possui bom porte físico para o jogo aéreo e de costas ao gol, muito bom para brigar contra as defesas rivais. Silvio Romero que veio do futebol mexicano, destaca-se pela velocidade, capacidade goleadora e disputa no um contra um. Quando os dois disponíveis, Gigliotti deve de ser o titular, mas com o Romero aposto a roubar o posto.
Juan Manuel Martinez é dos atacantes reservas um dos mais utilizados, tanto pelas pontas como nas variações táticas para formação 4-4-2 como segundo atacante. Gaston Togni, ponta/meia pela esquerda, Mauro Molina, meia mais centralizado, Diego Verón e Braian Romero, recém contratados e Francisco Pizzini, que volta de lesão de ligamento, são opções para a linha de 3 jogadores que atuam para servir o atacante.


Elenco do Independiente para 2018






SOBRE O AUTOR:
GIOVANNI LUIGGI PARISI - Brasileiro, de família argentina, torcedor doente por escolha própria aos 6 anos do verdadeiro Rei de Copas: INDEPENDIENTE. “Paladar Negro” para o futebol é premissa no Orgullo Nacional. Engenheiro Químico de formação, escritor esportivo por paixão.
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