Na última semana uma discussão
tomou conta das redes sociais, motivada pela opinião do apresentador Thiago
Leifert de que esporte e política não devem se misturar. A opinião de Leifert é
coerente com o apresentador engraçadinho, que sempre se preocupou mais em
aparecer fazendo graça que por uma análise mais critica e séria do esporte. O
esporte tratado apenas como entretenimento e com uma abordagem engraçadinha não
é exclusividade de Thiago Leifert. Essa linha de cobertura é utilizada por
outros apresentadores e comentaristas, que muitas vezes passam dos limites, abusando
de piadas homofóbicas, machistas e até racistas.
Adepto da cobertura esportiva engraçadinha o programa “Os Donos da Bola” da Band-GO deixou a musa do Goiás constrangida com perguntas machistas.
Esporte não é só entretenimento,
assim como não é só negócio, apesar da quantidade de dinheiro e interesses que
estão envolvidos no esporte profissional. Há valores no esporte que estão muito
acima do dinheiro e do entretenimento. Um desses valores é a capacidade que o
esporte tem de agregar, vide episódios históricos como a famosa trégua de natal
de 1914, que trouxe um momento de paz a tropas alemãs e britânicas em meio a 1ª
guerra mundial, que se confraternizaram jogando futebol. Como esquecer EUA x
Irã na Copa de 1998, um jogo cercado de tensão devido à animosidade histórica
entre os países, que teve a confraternização dos atletas antes do jogo, com
direito a flores e foto com os jogadores dos 2 times intercalados.
Jogadores de Estados Unidos e Irã na Copa do Mundo de 1998.
Devido ao seu alcance, é
obrigação do esporte e dos atletas exporem ao mundo temas de relevância para a
humanidade. Foi o que fez o quarterback da NFL, Colin Kaepernick, que, ao se
ajoelhar durante a execução do hino nacional americano, denunciava e fazia o
mundo discutir a violência contra os negros nos EUA. No Brasil, que tem um
índice altíssimo de violência contra sua população negra, nenhum jogador de futebol
é capaz de se manifestar sobre o tema. Kaepernick foi chamado por Leifert de “troublemaker”,
ou seja, aquele que causa problema. Meu caro Thiago Leifert, ninguém vai
conseguir mudar o mundo vendo passivamente as coisas acontecerem. A gente não
vai acabar com o racismo no esporte, por exemplo, fazendo de conta que ele não existe
ou com campanhas inócuas do tipo #Somostodosmacacos. Para que venham as
mudanças é preciso incomodar sim, a inercia só interessa àqueles que querem
manter o status-quo.
Manifestação de Colin kaepernick durante o hino americano nos jogos da NFL deu origem à diversos movimentos que chamavam a atenção para a violência contra a população negra dos EUA.
Falando
de política e esporte na Argentina, afinal esse é um blog de futebol argentino,
não podemos esquecer que Maradona é endeusado no país, muito, por conta de todo
contexto político da conquista da Copa de 1986. A Argentina esteve em guerra contra a
Grã-Bretanha pela posse das Ilhas Malvinas e saiu derrotada. Naquela Copa a
Argentina enfrentou a Inglaterra e Maradona, com a famosa Mano de Dios, ajudou
a derrubar os Ingleses, uma vitória comemorada muito além da esfera
futebolística.
Que Thiago Leifert não leia, mas
no último mês tiveram manifestações contra o presidente Maurício Macri em jogos da Superliga Argentina. As
manifestações têm haver com futebol, afinal alguns clubes como San Lorenzo e
River Plate acusam que há um esquema de arbitragem para favorecer o Boca
Juniors, time mais popular da Argentina e do qual Macri é torcedor e foi
presidente antes de se tornar presidente da Argentina. Mas as manifestações também envolvem
a insatisfação do povo com as políticas do governo Macri, incluindo a reforma previdenciária, aprovada pelo Congresso argentino em dezembro de 2017.
Manifestação contra Macri pela torcida do River Plate
Manifestação da torcida do San Lorenzo no simbólico duelo contra o Boca Juniors
Torcida do Racing apresentou ao Brasil a canção contra Macri no duelo contra o Cruzeiro pela Libertadores
Torcida do Huracán foi outra a cantar o hit do Verão em manifestação contra Macri
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